Cabeça e pescoço
A cabeça deve ser avaliada considerando seu tamanho, forma, perfil cefálico, direção e ligação.
Tamanho: Uma cabeça perfeita deve ser, primeiramente, proporcional ao tamanho do cavalo, sendo mediana no seu comprimento e no seu peso. Esta região é também importante no deslocamento do indivíduo, pois o centro de gravidade do cavalo é deslocado para frente ou para trás com o abaixamento ou elevação da cabeça, auxiliando a troca no apoio dos membros. O tamanho da cabeça é uma característica considerada funcional e racial.
Forma: Basicamente esta característica é racial e deve ser avaliada observando-a de frente. Quando apresenta comprimento médio, olhos próximos e chanfro mais largo é chamada de retangular, quando é curta, olhos afastados, e chanfro estreito é identificada como triangular.
Perfil cefálico: O perfíl cefálico pode ser retilíneo, convexilíneo ou concavelíneo. Deve-se lembrar que as características relacionadas à forma e ao perfil variam entre as diferentes raças e até entre indivíduos, mas pouco influenciam no desempenho funcional dos eqüinos.
Direção: Esta característica também deve ser avaliada com o cavalo em estação natural , em estado atenção e sem arreios de condução. A direção da cabeça, avaliada de perfil, apresenta um ângulo em relação à horizontal (chão). O ângulo formado por uma linha imaginária determina a direção da cabeça que pode ser:
Diagonal: Quando forma um ângulo de 45° com a horizontal e 90° com a direção do pescoço. Esta direção é considerada ideal porque a cabeça fica equidistante dos extremos de flexão e extensão, o que facilita a movimentação, comandada pelas rédeas e o freio (ou bridão) que se apoia corretamente sobre as barras, bem como oferece melhor visualização dos obstáculos. Direções diferentes à Diagonal são consideradas inadequadas para o cavalo de sela, estas são denominadas:
Encapotada: Quando forma um ângulo maior do que 45° com a horizontal. Esta direção é considerada incoveniente, pois além de limitar o campo visual, promove aumento do peso suportado nos membros anteriores pelo deslocamento do centro de gravidade.
Horizontal: Quando forma um ângulo menor do que 45º com a horizontal. Esta direção também é incoveniente, pois o apoio do freio (ou bridão) pode ocorrer nos pré-molares e na fissura labial, o que prejudica a condução do indivíduo. O campo visual do cavalo fica prejudicado impedindo a visualização de objetos próximos.
Ligação: Considera-se ligação, a junção da cabeça com pescoço a qual é muito importante no equilíbrio dos cavalos de sela. Pode ser denominada balancim céfalo-cervical, devido ao fato de ser o ponto de equilíbrio do cavalo para a realização dos diferentes andamentos. Para uma perfeita avaliação da ligação da cabeça com o pescoço devemos observá-la de perfil onde identificaremos três situações distintas:
Normal: Quando a cabeça apresenta-se bem associada ao pescoço, nem muito destacada nem muito unida, o que é sempre desejável.
Descosida: Quando destacada do pescoço. É indesejável, pois a musculatura de sustentação apresenta-se debilitada para suportar o peso da cabeça dificultando a movimentação e o próprio equilíbrio do cavalo.
Embutida: Quando extremamente unida ao pescoço, o que pode proporcionar dificuldade de movimentação desta região prejudicando o comando do cavaleiro.
O pescoço deve ser avaliado, também de perfil, considerando o seu tamanho, forma e direção.
Tamanho: O pescoço deve ser proporcional ao corpo do cavalo, para um perfeito equilíbrio entre a cabeça e o tronco.
Forma: A forma do pescoço é avaliada analisando-se os bordos superior e inferior, onde identificaremos três situações distintas:
Piramidal: Quando os bordos superior e inferior são retilíneos e convergem para a cabeça, lembrando um triângulo;
Rodado: Quando o bordo superior é todo convexo, podendo esta convexidade apresentar-se pouco acentuada (sub-convexo);
Cisne: Quando a metade superior apresenta-se convexa e a inferior retilínea.
As formas citadas acima são desejáveis desde que estas obedeçam o padrão da raça a qual o cavalo pertence, portanto a forma do pescoço é um atributo racial. Também devemos ficar atentos quando avaliamos os reprodutores, pois a maioria apresenta ligeira convexidade no bordo superior, mesmo nas raças em que o padrão indica pescoço piramidal. Esta característica está relacionada com a diferenciação sexual.
Direção: Avaliando-se o cavalo de
perfil, observamos a direção assumida pelo pescoço em relação à cabeça, ao
tronco ou à horizontal. Três situações distintas poderão ser identificadas:
Diagonal: aquela direção em que o eixo médio do pescoço forma um ângulo de 90º
com a cabeça e 45º com a horizontal. Esta direção é a ideal, pois
proporciona a melhor harmonia na ligação com a cabeça e com o tronco, além de
distribuir corretamente a massa corporal aos membros anteriores e posteriores.
A distribuição da massa corporal nos cavalos que
apresentam cabeça e pescoço com tamanhos e direções ideais pode ser considerada
como de 55% nos membros anteriores e 45% nos membros posteriores.
Horizontal: Quando o ângulo com a horizontal é menor do que 45º. Também considerada indesejável, essa direção do pescoço promove aumento no peso suportado pelos membros anteriores.
Vertical: Quando o ângulo do pescoço com a horizontal é maior do que 45º. Essa direção é indesejável, pois aumenta o peso suportado nos membros posteriores, desloca o centro de gravidade, promove a direção horizontal da cabeça e predispõe a lordose. Esta direção também é denominada de invertida, pois normalmente há tendência do bordo inferior do pescoço apresentar ligeira convexidade o que projeta o conjunto cabeça e pescoço para trás.
Tronco... Membros anteriores e posteriores...